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João Paulo Martins: não se deve atribuir um valor absoluto aos concursos de vinhos


João Paulo Martins  Fotografia: João Paulo Martins

 

Em entrevista à “Espiral do Tempo”, o jornalista e crítico de vinhos João Paulo Martins aconselha a relativizar os resultados dos concursos de vinhos:


"Os concursos têm uma especificidade própria. Há muitas marcas que não concorrem aos concursos. As grandes marcas não concorrem, nem as portuguesas nem as estrangeiras. Não precisam dos prémios e seria um desprestígio se não ganhassem. Não é o campeonato deles. O campeonato dos concursos é o das entradas de gama e das gamas médias porque é aí que um vinho que pode custar até dez euros, se ganhar uma medalha de ouro provoca um impacto nas vendas muito interessante. Mas os concursos são tão voláteis como o vinho. São concursos sérios, com prova cega onde só sabemos o ano de colheita, mas é muito subjetivo. Não se deve atribuir a essas medalhas um valor absoluto como aconteceu com a história do Moscatel de Setúbal que foi dito ser o melhor moscatel do mundo. É uma estupidez e pode escrever mesmo isso. É tacanhez e provincianismo. Ou no outro dia em que foi promovido o melhor Alvarinho do mundo. Mas como é que se escolhe o melhor Alvarinho do mundo se Espanha produz seis ou sete vezes mais que Portugal e só havia meia dúzia de marcas espanholas a concurso? Ganhou uma medalha de ouro? Fantástico, ninguém lhe tira o mérito. Conseguiu-se vender o Moscatel todo numa semana? Extraordinário. Vendeu-se mais caro do que se estava a pensar? Melhor ainda. Vamos todos bater palmas, mas não vamos entrar em loucuras."


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